domingo, 25 de janeiro de 2015

O Quase Dia dos Namorados


Em 2014 o dia dos namorados chegou e passou sem que eu tocasse no assunto aqui no Quarto. É que eu não estava pronto ainda pra falar sobre a data. Eu bati na trave e quase passo o dia dos namorados com um namorado. O meu primeiro namorado.

Espero sinceramente que ele não esteja lendo isso. Ele conheceu esse Quarto depois de me conhecer e acabei ficando na época um pouco receosos de espantá-lo. Agora fico constrangido de escrever sobre uma pessoa que provavelmente vai ler. Isso é algo com que eu sempre me preocupei, por isso nem meus amigos mais íntimos sabem da existência desse blog. 

O processo todo do namoro foi meio estranho. Não estranho ruim, só foi meio diferente, pelo menos pra mim. Talvez seja pelo fato de nunca ter namorando antes, mas isso só vou descobrir com o tempo, acho.

Nós nos conhecermos como hoje as pessoas costumam se conhecer, pelos aplicativos de encontros. Eu tenho uma relação de amor e ódio com esse tipo de aplicativo, mas na época eu ainda estava descobrindo como esse negócio funciona e não tinha opinião a respeito.  

Enfim, o que houve é que conversamos. E a conversa foi fluindo e fluindo de uma forma que não tinha acontecido com ninguém até então. Desde o início eu sempre me senti muito à vontade com ele, e quando nós marcamos de nos encontrar me senti muito confortável. 

Foi no cinema. Ele pegou na minha mão. Eu fiquei sem graça, mas deixei. Quando tentou me abraçar pra mim foi demais. Ai deixei ele sem graça com a negativa. Agradeço por duas coisas nesse dia, ele não ter ficado interrompendo o filme o tempo todo (não é uma boa ideia me interromper enquanto estiver vendo um filme que estou gostando) e ele não ter desistido na primeira tentativa. 

Depois disso nos vimos mais uma vez, em que ele conseguiu só sentir meu cheiro e nada mais. Lembrando disso percebo como eu sou um filho da puta difícil. Só no terceiro encontro ele conseguiu um beijo. 

Recordando todas essas coisas me sinto um antiquado. Acho que no nosso quinto encontro acabei pedindo ele em namoro. Ele já tinha falado sobre isso antes e eu senti vontade de falar aquilo naquele momento por isso eu fiz. 

O mundo já tinha dado vários indícios de que não queria que ficássemos juntos. Depois de um de nossos encontros ele foi atropelado por um ônibus, nada grave ainda bem. Em outro uma greve de motorista de ônibus ameaçou nos deixar dormindo na rua. 

Quando você está dando uns amaços em um lugar meio afastado de um parque e um helicóptero da polícia aparece com um policial apontando uma metralhadora pra vocês tome isso como um sinal. 

Depois de mais ou menos um mês de namoro, poucos dias antes do dia dos namorados, ele resolveu terminar. 

Posso imaginar uma penca de motivos para isso ter acontecido, mas o mais simples e sincero é que ele não gostava tanto assim de mim e eu também não. 

Há dias ele já dava sinais de que algo estava errado. Não sei dizer o que se passou de verdade pela cabeça dele. Será que eu sufoquei ele de alguma forma? Ou fui muito distante? Fui lento? Fui rápido? Não fui a pessoa que ele pensou? Não fiz o que ele queria? Perdi alguma coisa? Não tenho essas respostas, nem quero mais ter. Talvez só não fosse. Não fosse a pessoa, não fosse o momento, não fosse... É o que eu acho. 

No último dia, trocamos algumas mensagens de voz. Os mesmos clichês de milhões de relacionamentos que já existiram e vão existir. Ele pareceu verdadeiramente triste, eu aceitei bem, embora não saiba muito bem exteriorizar certos sentimentos nesses momentos. 

A promessa de amizade ficou. Mas assim como eu nunca tinha tido namorado, também não tinha tido ex-namorado. Nem nunca tinha sido um. Confesso que até hoje inda não sei lidar com essa condição. Ele era um cara muito bacana, e eu gostei dele o suficiente pra pedir em namoro (o que não acho pouco), e não terminamos brigados. Logo é obvio que adoraria ser amigo dele. Mas acabamos perdendo o contado. Não soube lidar com isso. E ainda não sei. 

Ele foi alguém legal que apareceu na minha vida, mas todo processo chega ao fim, para dar lugar à novos, tanto pra mim como pra ele. Talvez tenha sido o melhor. 

7 Cochichos atrás da porta:

Ro Fers disse...

Por estes e outros motivos que meu blog é mantido em segredo, não informo para ninguém, nem amigo, nem namorado, evitando desta forma me restringir...

Caraca, iniciaram rápido um namoro... no 5º encontro, mas enfim, cada um sabe o momento certo, e quando é para não ser, não adianta insistir que não será...

Sei lá, certos lances no cinema também não é comigo, e que situação hein com a PM hein....rs hilário em imaginar, e constrangedor em estar em sua pele...rs

Não desista, um dia há de aparecer alguém...
Abraços!

J. M. disse...

Querido, às vezes é assim mesmo. Sentimos que não era pra ser e a tranquilidade que ficamos depois é sinal de que não esperávamos realmente que desse certo. Bom que você é desencanado...ao contrário de mim. rs Abraço.

FOXX disse...

olha, foi uma experiência. Eu acho que vc devia relatá-la com mais felicidade, e não com esse ar de que nunca vai acontecer de novo. Foi o primeiro, e vão existir vários outros, e a maioria serão passageiros assim, lembre-se, em toda sua vida, somente uma ou duas pessoas ficarão ao seu lado durante muito tempo.

Lobo disse...

Relaxe. Eu acho que nunca é uma boa ideia tentar decifrar o que se passa na cabeça de outrem. Porque a gente nunca vai saber de verdade, e só desgasta a gente. Um não é um não, paciência. A vida segue, e a gente acaba ganhando bem menos cabelo branco respeitando um não do que tentando entender o porque do não. Se a pessoa realmente quisesse que a gente soubesse o real motivo, ela falaria.

Sam Peregrine disse...

Ro, J.M., Foxx e Lobo,
Obrigado pelas palavras. Talvez esse clima melancólico tenha vindo do momento em que escrevi o texto, não por conta dos meus sentimentos pelo que houve.
Acho e ainda quero viver muitas outras experiências sim, e todo tudo isso como aprendizado.
:)

Jovem Camarada disse...

Apesar da já citada melancolia, acho bonito o grau de maturidade com o qual você encara o seu primeiro namoro.

Abraço, Sam.

Anônimo disse...

Sabe q eu m encontro exatamente assim... E as vezes ainda m importo com os primeiros encontros e com esse meio terrível sem amor aí termino sem namorado. :(

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