segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As Cartas Que Eu Não Mando #10 part I

Dia sereno


Para Minha única exceção.

Foram muitos anos do meu amor. 

Primeiro a paixão, eu agora posso perceber. Me apaixonei por você tão perdidamente, mas eu nem sabia o que estava acontecendo. Tão inocente, meu amor infantil. Ainda lembro que você não saia da minha cabeça, ocupava cada um dos meus pensamentos, e os melhores dias eram aqueles em que eu te encontrava. Os melhores momentos os compartilhados com você. 

Você nunca soube, mas eu afrontei até minha mãe pra poder te ver. Eu, sempre o filho exemplar, me ergui e a desafiei quando ela tentou me afastar de você. E teria enfrentado muito mais se ela não tivesse desistido. E eu dizia pra mim mesmo que era por amizade verdadeira. Eu não estava errado, mas era muito inocente pra perceber que também era mais do que isso.

Enquanto nós crescíamos, ao meu redor nos nossos amigos e colegas as paixões iam e vinham. Eu sempre um tolo, me lamentava por nunca ter amado. Como poderia amar outra pessoa se meu coração já estava ocupado? 

Adolescência. Eu, uma muralha de gelo. Você, o único capaz de me atingir. Sempre um poço de mistério, me feria com a sua distância calculada, com seu silêncio desdenhoso, seu risinho cruel. Sua diversão parecia ser me diminuir. Por que então está sempre por perto, eu me perguntava. 

Eu desisti de você tantas vezes que nem sei dizer, mas meu coração ainda assim dava um jeito de te perdoar. De suportar. Mesmo assim eu ainda chamava isso de amizade, e pior, eu acreditava nisso.

Foram períodos turbulentos os em que eu abri os meus olhos. Ainda me lembro como se tivesse acabado de sentir o frio que percorreu minha espinha se espalhando pelo corpo, arrepiando minha pele. Anos de amor e eu ainda estremeci quando pela primeira vez eu me perguntei, de forma sincera e real, se eu te amava. NÃO eu gritei dentro de mim. Boca fechada, as mãos molhadas, espuma pingando, eu encostado na pia. NÃO, continuei gritando. Mas chega uma hora que você não consegue mais mentir pra se mesmo. 

Foram precisos mais do que dias pra eu aceitar a verdade inegável. Meu amor era mais que real, ele havia me acompanhado a mais tempo do que eu poderia pensar, e eu nada sabia a respeito. 

Não sei o que foi mais difícil de aceitar, que eu amava rapazes ou que eu te amava. A segunda opção, com certeza. 

Foram tempos conturbados pra nós dois. Tempo de descobertas pra mim, de revelações pra você. Nada é fácil, nunca é. As coisas ditas e principalmente as não ditas, pesam tanto. 

No fim, tudo nos leva a isso. O hoje.

Continua...

2 Cochichos atrás da porta:

Fred disse...

Sejam as tuas, as minhas ou as histórias de quem for... mas tudo nos leva ao hoje! #truestory, Samzete! Hugzões!

FOXX disse...

uau!

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